Energia previsível é
decisão estratégica.
A Aurova opera na interseção de quatro domínios que o setor elétrico brasileiro mantém separados há décadas. Regulação, engenharia, mercado e tecnologia — sob a mesma cadeia de responsabilidade técnica.
Quatro problemas. Uma raiz.
Cada sócio da Aurova chegou ao mesmo ponto de percepção — que sua expertise sozinha não era suficiente — por um caminho diferente.
A outorga estava vencida.
O projeto de migração para o ACL estava correto tecnicamente. A outorga de uso do sistema havia vencido 40 dias antes. Ninguém na cadeia sabia que precisava verificar. Resultado: oito meses de atraso.
A tarifa tinha dois anos.
O sistema solar estava correto: potência, orientação, inversores. O modelo financeiro usava custo de fio B de 2022. O TIR caiu 5 pontos percentuais quando a tarifa atualizada entrou no cálculo.
A sazonalização estava errada.
O contrato ACL estava estruturado corretamente. A curva de carga usada na sazonalização era histórica. A carga real foi 23% maior. A diferença foi liquidada no PLD — na conta de ajuste da CCEE.
Os dados estavam no SCDE. Ninguém usava.
Em 2023, a CCEE implementou streaming: 1.200 coletas por minuto, dados horários em tempo real. As empresas baixavam o relatório mensal para fechamento contábil. Decisão operacional: planilha.
Trajetórias distintas.
A mesma dor.
Cada um operava num vértice diferente do setor elétrico. Cada um bateu no mesmo muro — o gap entre o que sabia e o que precisava saber para o projeto não falhar.
Por duas décadas, Juliano viveu dentro das normas que regulam cada
passo de um projeto de energia no Brasil. Viu projetos tecnicamente
corretos morrerem por razões que ninguém havia mapeado: outorgas
vencidas, janelas de habilitação fechadas, prazos da distribuidora
ignorados porque ninguém na cadeia sabia que eles existiam.
A regulação chegava como documento — parecer ao final, checklist
entregue depois da assinatura. Quando chegava tarde, o projeto
voltava do zero.
Yuri conhecia o canal solar brasileiro de dentro. Gerenciava a maior
conta nacional de uma das maiores fabricantes de módulos do mundo.
Sabia quanto custa um painel, quanto rende, como montar uma carteira.
O projeto de engenharia era perfeito. O modelo financeiro usava o custo
de fio B de dois anos atrás. A ANEEL havia revisado. Ninguém havia
atualizado a planilha. O cliente cancelou.
Takasugi vivia na mesa de comercialização. Sabia estruturar
sazonalização, modulação e lastro. Fechou centenas de contratos
no Ambiente de Contratação Livre.
O contrato estava correto. A curva de carga usada era histórica.
A indústria havia expandido no semestre anterior. A carga real
ficou 23% acima do contratado. A diferença foi liquidada no PLD.
A conta de ajuste da CCEE chegou sem aviso.
Rafael não chegou ao setor elétrico para aprender sobre energia.
Chegou para construir sistemas que precisavam entender o setor tão
profundamente quanto os especialistas que os usavam.
Ao longo de 17 anos, desenvolveu software que operava dentro das
regras do ONS, da CCEE e da ANEEL — não como integração periférica,
mas como lógica central do sistema. Aprendeu que dado correto no
sistema errado gera tanto prejuízo quanto dado errado no sistema certo.
O setor elétrico brasileiro tem especialistas. O que não tinha era uma empresa onde regulação, engenharia, mercado e tecnologia operassem sob a mesma cadeia de responsabilidade, desde o primeiro dia de um projeto. Esta é a história de como isso mudou.
Dois especialistas, o mesmo cliente, ângulos opostos
Juliano Rodrigues tinha 21 anos dentro das normas que regulam cada passo de um projeto de energia no Brasil. Entre ONS, CCEE, ANEEL e EPE, havia aprendido que o problema não era falta de norma — era falta de quem traduzisse norma em dado operacional antes de o projeto começar.
Rafael Takasugi chegou ao mesmo ponto pelo outro lado. Na Power Trade, estruturava contratos ACL. Conhecia sazonalização, modulação e PLD de memória. Escrevia sobre backoffice da CCEE porque via clientes assinar contratos sem entender o que estavam comprando.
Os dois se conheciam de nome antes de se conhecer de fato. Quando cruzaram em um evento técnico em Goiânia, perceberam que trabalhavam nos mesmos clientes — Grupo A migrando para o mercado livre — e que cada um via o problema de um ângulo que o outro não alcançava. Regulação não sabia o que o trader estava prometendo. O trader não sabia o que a regulação estava exigindo. O cliente pagava a diferença.
Yuri entra pela ponta da engenharia
Alguns meses depois, um integrador da rede de Yuri Salvador fechou contrato com uma das empresas que Takasugi havia estruturado. O projeto solar era tecnicamente correto. O retorno projetado estava errado: a tarifa de fio B usada no modelo tinha dois anos de defasagem.
Yuri havia gerenciado o canal nacional da Canadian Solar — maior fabricante de módulos fotovoltaicos do mundo. Conhecia o que cada integrador entendia e o que não entendia. O que ninguém no canal sabia era que a ANEEL havia revisado as tarifas no intervalo entre a proposta e o fechamento do negócio.
Takasugi apresentou Yuri a Juliano. Os três tinham clientes em comum. Tinham problemas em comum. E cada um tinha informação que os outros dois precisavam mas não tinham acesso.
Rafael fecha o quadro pelo domínio
Rafael Mendes Rosa passou 17 anos desenvolvendo software exclusivamente para o setor elétrico. Na Marsura, como Technical Director, não apenas integrava APIs — construía os sistemas que traduziam obrigações regulatórias em fluxos operacionais: medição, liquidação, conformidade com CCEE e ANEEL.
Essa trajetória lhe deu algo raro: profundidade técnica combinada com domínio real do setor. Sabia o que estava sendo calculado, por que, e o que acontecia quando o cálculo falhava. Não precisava que o cliente explicasse o problema — reconhecia a arquitetura do problema antes da reunião terminar.
Quando foi apresentado ao grupo e ouviu os três descreverem os mesmos impasses de ângulos diferentes, a leitura foi imediata: "Os dados para resolver isso existem. O sistema que conecta dado a decisão, não."
Não foi um eureka. Foi o acúmulo.
Durante meses, os quatro continuaram trabalhando separadamente. Mas a pergunta foi ficando mais presente a cada projeto que falhava na interface entre seus domínios.
A resposta para cada pergunta era não.
A resposta seguinte foi a mesma para os quatro: então vamos fazer isso juntos.
Quatro trajetórias distintas. Um ciclo completo de decisão energética. Conheça cada um dos vértices.
Regulação. Engenharia. Mercado. Tecnologia.
Quatro trajetórias que cobrem, juntas, todo o ciclo de decisão energética no Brasil — sob a mesma cadeia de responsabilidade.
"Regulação no setor elétrico não é uma etapa. Ela atravessa todas as etapas simultaneamente."
"Engenharia boa com premissa errada entrega o projeto de volta para retrabalho."
"O mercado livre é vantajoso para quem sabe o que está comprando."
"Desenvolver para o setor elétrico exige entender o setor. Tecnologia sem domínio do negócio entrega sistema — não solução."
Da percepção ao produto.
Cada problema que os quatro fundadores viveram tem uma resposta técnica direta. A Aurova está construindo a plataforma que conecta esses quatro domínios — regulação, engenharia, mercado e dados — em um único ciclo operacional. Sem gap entre quem sabe e quem decide.
Monitoramento contínuo de prazos de outorga, janelas de habilitação CCEE, portarias ANEEL/MME e datas-limite ONS. O alerta chega antes do vencimento, não depois.
TUSD, TUST e fio B sempre na revisão vigente de cada distribuidora. Modelos financeiros de GD calculados com o dado de hoje, não da última planilha compartilhada no grupo.
Consumo real medido e confrontado com o contrato ACL vigente. Desvios de sazonalização aparecem antes do fechamento do período de apuração da CCEE — não na conta de liquidação.
1.200 coletas por minuto do SCDE processadas em tempo real. O dado que a CCEE entrega desde 2023 transformado em alerta operacional — antes de virar problema no balanço.
A Série
Cinco publicações. Uma por fundador — mais o manifesto que fecha o arco.